Opera Leena

O sol de Portugal participa ao projecto Opéra Leena em wolof

 

Contexto
O projecto, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural é realizado desde 2007 por Migrações Culturais Aquitaine Áfricas, associado a UTSF (União dos Trabalhadores do Senegal na França). É assistido e acompanhado pela ACSE (Agência para a Coesão Social e Igualdade de Oportunidades), o IDDAC e a Opera de Bordéus, e apoiado por associações de espectadores e mediatécas da Gironde.      

 

 

Descrição

Durante um ano, Boris Boubacar Diop, escritor senegalês, viveu três vezes em Bordéus no âmbito deste projeto.
Ele tem participado a vários eventos literários, artísticos e culturais e realizou um atelier "Wolof" entre os jovens franceses, franco-senegaleses, e Senegaleses,  reunidos por UTSF. Foi a partir destas residências, da atratividade de um amplo projeto federador que nasceu a iniciativa comum de criação de uma ópera em Wolof. Ideia que tem atraído vários operadores culturais, tanto institucionais que associativos.

 

Atores 

El Hadj Ndiaye escreveu a melodia da ópera LEENA. Mathieu Ben Hassen realizou a arquestração, os arranjos musicais e a escrita das partições para os cantos à interpretar pelos coristas. re des partitions pour les chants à interpréter par les choristes. O espetáculo musical será dirigido por Guy Lenoir.

 

 Livrete

Na floresta a volta de uma pequena cidade Dans les bois autour d’une petite ville, no crepúsculo.

Homens e mulheres - apenas se adivinha as siluetas no nevoeiro - passeam lanternas enter as árvores.

 

Falam-se de vez em quando mas não fazem muito barulho. Seus movimentos assemelham-se a um balé de sombras silenciosas.

 

Entende-se ao longo dos segundos, que estão à procura de uma adolescente chamada Leena.
Uma menina canta uma canção cheia de melancolia, ecoada por muitas outras vozes femininas - tais como as amigs de Leena. Pediram-lhe de responder.

 

Sem sucesso.

 

No meio da noite, exausto e com o coração pesado, os habitantes voltaram para casa.

 

Eles veem ao longe imensas torres, e áreas de estacionamenteos a perder a vista, onde centenas de carros estão apertados uns contra os outros. É o bairro deles. 

 

Á medida que eles se aproximam, ouvimos cada vez mais distintamente as sirenes dos carros da polícia. E a seguir, é rapidamente a confusão geral. Gritos de todos os lados : "Encontramos-a ! " " Onde está ela ? " " Leena ! Leena ! " " Por aqui ! "

 

Todos os habitantes se precipitam na mesma direção.

 

Leena estaá assentada sózinha num banco público ao bordo de um estacionamento. Apesar de ter as luzes projetadas no seu rosto e da forte agitação a sua volta, ele fica imóvel, totalmente ausente.

 

Assim começa a história de Leena, menina do Senegal, muda desde o dia em que a Velha Daaro apareceu-lhe nesta mesma área de estacionamento. 

 

 

Sujeita à visões que a aterrorizam e torna-se então introvertida, comporta-se como uma louca, um desespero para as suas amigas e os seus país. 

Toda a história trata do esforço de toda uma colectividade para ajudar Leena a reintegrar o grupo. Não há no bairro nenhuma que não se sinta afectado por este combate. A música e a dança teem um papel importante nesta prática terapêutica. Tratará-se de um arco-íris musical - rap e slam - mas também o ndëpp e aà canções populares em wolof.

 

Leena será curada pela re-descoberta da língua e da cultura do seu país.

 

No entanto, o seu calvário fez dela, na escala de um bairro suburbano, o símbolo de um "desejo comum de viver juntos." Vizinhos que nem olhavam uns para os outros começam a ter pouco a pouco o desejo e a vontade de falarem.

 

 

Leena e O Sol de Portugal

 RETRATO : Entrevista com alguns cantores de O Sol de Portugal sobre Leena.
Composto por 13 cantores e 6 músicos, o grupo O Sol de Portugal existe desde há quase 30 anos. O nosso grupo reúne pessoas de todas as idades.

O nosso encontro com Guy Lenoir foi decisivo. Quando chegou, nos apresentar o projeto Leena com africanos, no ano passado, estávamos tanto apaixonados que subjugados. Mas aqui estamos grandes aventureiros, não mudamos. É graças a eles que nós embarcamos nesta odisséia, principalmente humana e claro muito estimulante.

O wolof é uma língua estrangeira difícil para todos nós, embora estejamos acostumados a línguas estrangeiras. O francês também foi para uma grande parte dentre nos, um língua estrangeira. No entanto, o Português continua a ser uma língua de referência adquirida, para recuperar, ou descobrir para os que nasceram na França.  

Outra encontro foi decisivo : o coro Africano de Talence com a qual repetimos Leena. A unidade é claro a força. Mas, além disso, uma verdadeira solidariedade e fraternidade são naturalmente manifestadas numa excelente atmosfera através do canto, ritmo e alguns doces. 

Dois cantores de Talence falam o wolof então, obviamente, isso ajuda. 

 

Philippe Molinié, o indispensável, the master, traz-nos o seu professionalismo, uma qualidade de escuta excepcional, uma paciência rara, muito humor, uma dinámica jovial e até muito eficaz. 

Em que fase do trabalho de repetição estamos hoje ? Quais são as nossas dificuldades ?  Somente 10 membros do grupo envolveram-se na Leena. Alguns não conseguiam ir as repetições da sexta-feira a noite e do sábado, outros faltaram algumas repetições,... O essencial é participar perseverar e agarrar-se. É quando estamos confrontados a adversidade e a dificuldade de dámos o melhor de nós.

A primeira parte, a que cantamos em dezembro, pereceu-nos mais difícil, ou então, outra hipótese, o wolof começa a aceitar-nos.

Os nossos projetos ?

Vamos trabalhar um canto escrito e acompanhado em música pelo nosso guitarrista.

Temos em projeto de aprender as canções do coro africano e de aprende-los os cantos portugueses. Porquê Leena ? 

Para a aventura musical com professionais : um challenge para nos, porque sómente os nossos músicos leem música ; continuar a conviver com outras culturas como sempre fizemos porque é com a mistura dos gêneros, das práticas que aprendemos a descobrir e a apreciar os outros. Este projeto intercultural é atraente. A interculturalidade faz parte das nossas experiências quotidianas de vida e de fato gostámos desses projetos.

Também gostamos dos projetos loucos ; e até podemos dizer que no princípio era "um projeto louco" mas ótimo. Iremos até o fim, podem ter a certeza. Há mais terras para descobrir. E esta ja é palpitante. Obrigado a todos, boa continuação e até breve.

Muito amigavelmente, O Sol de Portugal