PORTUGAL DE ABRIL 2015

Feira portuguesa - Domingo 12 de Abril

danse

 

As duas conferências / degustações sobre o vinho e o bacalhau na sexta-feira a noite e no sábado de manhã acolheram ao todo mais de 100 participantes, apreciadores ou simples curiosos.   
Estas manifestações organisaram-se em duas partes : uma hora de conferência realizada por quatro especialistas do setor, seguida por uma degustação. 4 vinhos da região do Dão foram servidos e 5 maneiras de cozinhar o bacalhau foram apresentadas.

O Festival continuou com a tradicional feira portuguesa do domingo de manhã, que se realizou na Praça da 5° República em Pessac. O evento acolheu mais ou menos 2000 pessoas, tantos acostumados como passantes. 
Os diferentes grupos de dança (zumba, tango, dança portuguesa) e os músicos (Pessac Jazz Band e Jet 7 Swing) conseguiram fazer dançar pequenos e malhores, num ambiente convivial e festival. A feira terminou-se por um "vin d'honneur" servido na praça, acompanhado por toasts. 

 

Inauguração da exposição "A Arte do Azulejo" - Sexta-feira 17 de Abril

Expo5

Na sexta-feira 17 realizou-se a inauguração da exposição "A Arte do Azulejo" na presença do Presidente da Câmara de Pessac Franck Raynal, da Cônsul de Portugal em Bordéus Ana Filomena Rocha e Edith Moncoucut Vice Peesidente do Conselho Departemental. 

A exposição acolheu 70 pessoas entre as quais havia vários eleitos e o Presidente do Comité de Geminação. 

Durante esta noite, os convívios tiveram a occasião de descobrir esta arte secular através várias fotografías destacaram esta arte arquitetônica muito presente em Portugal. A beleza dos grafismos, das cores, dos edifícios foram as palávras mais pronunciadas  durante aquela noite. Muitos querem apprender e descobrir mais sobre estes espetaculares azulejos. 

O termo azulejo designa em Portugal (e na Espanha) uma peça de cerâmica de pouca espessura, geralmente, quadrada, em que uma das faces é vidrada, resultado da cozedura de um revestimento geralmente denominado como esmalte, que se torna impermeável e brilhante. Inicialmente, esta arte que provem do Egito e de Mesopotâmia, tinha como objetivo de reunir pedaços de faianças coloridas a fim de reproduzir os mosáicos gregoromanos do Próximo Oriente ou de África do Norte. A palavra em si, azulejo, tem origem no árabe al zuleycha que significa pequena pedra polida. É comum, no entanto, relacionar-se o termo com a palavra azul dado grande parte da produção portuguesa de azulejo se caracterizar pelo emprego maioritário desta cor, mas a real origem da palavra é árabe.
Tendo conhecido o seu apogeu no século XVIII em Portugal, esta arte faz doravente parte da cultura
do país e decora as fachadas, os tectos, solos dos edifícios, ... no interior como no exterior. 

Atelier pastelaria - Sábado 18 de Abril

Ana1

Na manhã do sábado 18 de Abril, realizou-se um atelier Confeitaria Monástica Portuguesa (produtos feitos exclusivamente com ovos) sob a direc da especialista em confetaria monástica portuguesa, Maria Ana Vaz de Almada, que veio especialmente do estavam muito interessados. 
 
Todos descobriram a arte da confeitaria, herança dos conventos, numerosos em Portugal. As religiosas utilisavam o branco dos ovos para a roupa mas também para a colagem ou a clarificação dos vinhos ; com os amarelos tiveram a ideia de lançarem-se na fabricação de bolos. Os participantes tiveram então a occasião de descobrir a fabricação do "Doce de ovos", "Papos de Anjo", "Fios de ovos", "Papos de Anjo" “Barrigas de Freira”.


As receitas : Recette1Recette1 Recette2 1Recette2 1
 

Esta cozinha de ceremónia e de prestígio acompanhou  os eventos religiosos e sociais, limitada a certos grupos sociais (o clero e a nobreza) e popularizada mais tarde ... com a extinção das ordens religiosas, depois das guerras liberais, e a Conveção de Evora em 1834.

A Confeitaria tornou-se uma fonte de receitas para estes estabelecimentos e após a extinção, as sociedades seculares comercializaram-na. Embora vários conventes escreveram as suas receitas, era muito comum queimar os documentos para evitar o risco de divulgação dos segredos. Felizmente para os nossos participantes, alguns dentre eles foram transmetidos.

Concurso de cozinha - Sábado 18 de Abril

Rep2

Foi a partir de 17h30 que as 8 equipes de cozinheiros (10 crianças e 20 adultos) começaram a cozinhar a partir de ingredientes impostos (peixe, batatas...) mas também a partir de 3 ingredientes a escolha.
Depois de 3 horas de cozinha, os convidados poderam finalmente provar os pratos preparados pelas equipes. 


O júri, composte por Irène Monlun (adjunta à vida associativa e às geminações), Dany Debeaulieu (Conselheira Municipal), Jean-Luc Bellinguer (Presidente do Centro Social Alouette, em Pessac) e também Claude Lesage (antigo restaurador) designaram a equipe vencedora com o seu prato Cabil'Impro (Sophie Perrier e Najat Iribarne Khrof ao centro da fotografía) seguida de perto por duas outras equipes. Nice Origane e Hoarau Karim (à direita da fóto) chegaram em segunda posição com o prato O carry de pescado. Jean-François Vincent e Pierre Soleilhavoup chegaram em terceira posição com o prato Mosaique.

Mesa redonda, buffet e projecção - Sábado 25 de Abril

 

O 22° Festival Portugal de Abril, organisado pela associação O SOL DE PORTUGAL, terminou-se no sábado 25 de Abril por um buffet, seguido por um buffet e de duas projecções de filmes au cinéma Jean Eustache em Pessac : « Les murs ont la parole » realizado por Raymond Arnaud, presente durante a recepção, e « Portugal, l’Europe de l’incertitude »,  um documentário de longa metragem de François Manceaux. Estes dois filmes tratavam respetivamente da revolução portuguesa de 1974 que pôs fim a 48 anis de ditadura (a mais longa da Europa) eda crise económica do país durante os anos 2011/12.     

O primeiro filme, uma curta-metragem de 15 minutos, composto de imagens reais dos frescos murais pintados pelos portugueses apás a revolução dos cravos, entre 1974 e 1976. Esta revolução provocou a queda da ditadura salazarista que dominava o país desde 1933. Estas pinturas murais, para maioria feitas durante as primeiras eleições livres em Portugal em 1976, traduziam a expressão livre dos diferentes partidos constituidos em Portugal após o 25 de Abril de 1974 et as esperanças de progresso social dos portugueses. Hoje em dia, estas pinturas desapareceram totalmente da paiságem portuguesa. 

O segundo filme, que durou cerca de uma hora, era um documentário que tratava da crise económica em Portugal, em 2011, e que analisava o processo do laboratório de austeridade infligido pelo jogo da finança mundial. O filme mostrou que essa experimentação portuguesa atual podia aparecer como uma realidade premonitória para o futuro do modelo económico e social europeu.  
O filme mostrava também o desequilíbrio governemental face à crise e a dura realidade a qual os portugueses estao confrontados desde há váriosn anos (aumento das taxas, diminuição dos salários, supressão dos empregos, privatização, ...). 
Portugal é designado "abandonado" pela sua Europa e além de enfrentar uma dívida de 130% do PIB, o país deve igualmente enfrentar uma crise social interna muito importante. Com efeito, em contrepartida de uma ajuda internacional de 78 bilhões de euros, Portugal estabeleceu um programa de rigor orçamental que se traduziu por importantes cortes nos salários e nos apoios sociais. O filme explicava que hoje em dia (entre 2011 e hoje), 80% da população vive abaixo do limite de pobreza (1/4 crianças) e que a taxa de mortalidade está superior a tax de natalidade. O país atravessa um período desfavorável da sua história e cada dia, portugueses são obrigados a abandonar o país para encontrar um emprego. 

No final destas duas projecções, Christina Semblano (economista portuguesa na Universidade de Paris IV - Sorbonne) e Arnousse Beaulière (economista, analysta política, ensaísta e autor de « Immigration, intégration, un malaise persistant »), falaram sobre a crise portuguesa atual.       
Christina Semblano exprimiu-se rapidamente sobre a época antes da revolução portuguesa, período instável para o país, dominado pelo desemprego de massa, uma taxa de imigração elevada o que conduziu a uma "desvalorização do Estado" e a uma ausência dos cuidados de saúde e de educação dos cidadãos. Depois, estabeleceu uma relação entre Portugal e o seu lugar na Europa affirmando que desde o euro, Portugal conhece uma grande estagnação económica. Com efeito, para tentar reembolsar a sua "dívida insolúvel", insistía Senhora Semblano, o país é comprado por empresas estrangeiras pouco a pouco (nomeadamente por empresas chinesas) e teve de privatisar os seus bancos, os correios e também as energías de primeira necessidade tais como a água e a eletricidade. "Portugal só fez o que a Europa lhe pediu", afirmava Christina Semblano.
Adicionou que a crise portuguesa, grega, irlandesa, ... e mesmo francesa não eram crises de país mas provinham da organização do sistema económico europeu. "Devemos estar de acordo relativamente a um modelo de civilização desejado antes de querer repensar o sistema económico" dizia Christina Semblano.              

Arnousse Beaulière fez a qeguir uma análise mais económica da situação atual em Portugal estabelecendo uma relação com a Europa, mas também com a África e os Estados Unidos. Explicou as relações às vezes difíceis que poderiam existir entre os paíes membros da União Europeia mas também entre a Europa e o resto do mundo. Affirmou que a situação atual da Europa, e também de Portugal, era sómente uma repetição do que se tinha passado anterioramente na história dos outros países, e que sería importante de tê-lo em conta. 

Os dois intervenientes souberam cativar a totalidade da assembleia presente na sala (cerca de 100 pessoas) e a seguir veio um debate intenso sobre o lugar de Portugal na Europa, as relações entre os países membros da Europa e o futuro desta união.